Inverno Seguro: como prevenir infeções respiratórias e distinguir gripe de constipação
No inverno, passamos mais tempo em espaços fechados, com menos renovação do ar e maior proximidade entre pessoas. Este contexto facilita a transmissão de vírus respiratórios, como os que causam constipações e gripe (influenza).
A boa notícia é que há um conjunto de medidas simples — apoiadas por evidência e recomendações de entidades de referência — que reduzem o risco de infeção e, sobretudo, de transmissão a familiares, colegas e pessoas mais vulneráveis.
A maioria das situações é autolimitada e melhora com repouso, hidratação e controlo de sintomas. Ainda assim, é importante saber distinguir padrões típicos, reconhecer sinais de alarme e evitar tratamentos desnecessários (como antibióticos quando não são indicados).
O essencial para prevenir (e proteger os outros):
1) Higiene das mãos (com água e sabão ou solução alcoólica)
A evidência de ensaios clínicos mostra benefício da higiene das mãos na redução de doenças respiratórias.
2) Etiqueta respiratória
Tossir/espirrar para o antebraço ou lenço, deitar o lenço fora e higienizar as mãos continua a ser uma medida-base recomendada em saúde pública.
3) Ventilação dos espaços
Renovar o ar em casa, no local de trabalho e em salas de espera/convivência é uma medida recomendada para reduzir a concentração de partículas respiratórias em ambientes fechados.
4) Ficar em casa quando está doente (sempre que possível) e evitar contactos próximos
Reduz a propagação dentro da família, escolas e locais de trabalho, sobretudo nos primeiros dias de doença.
5) Máscara quando há sintomas (como "controlo na origem")
A evidência de ensaios sobre intervenções de máscara em comunidade é heterogénea e com limitações, mas várias recomendações mantêm o seu uso por quem está sintomático, como medida adicional para proteger terceiros — sobretudo em espaços fechados ou junto de pessoas vulneráveis.
6) Vacinação
A vacinação anual contra a gripe é uma das intervenções mais eficazes para reduzir doença grave e complicações, sendo especialmente importante em pessoas com doença crónica, grávidas, idosos e outros grupos de risco. Em pessoas com doença respiratória crónica, sociedades científicas reforçam a recomendação de vacinação.
Constipação vs. Gripe: como diferenciar na prática
Nem sempre é possível ter a certeza só pelos sintomas — há sobreposição e, quando necessário, o médico pode considerar testes e avaliação clínica. Ainda assim, alguns padrões ajudam:
- Constipação (mais frequente e, em geral, mais leve): tende a causar sintomas sobretudo nas vias respiratórias superiores, como nariz entupido/ranho, espirros, dor de garganta e tosse; a febre, quando existe, costuma ser baixa, e o impacto geral é menor. Em regra, melhora ao longo de alguns dias com medidas de conforto e hidratação.
- Gripe (influenza): costuma ter início súbito e sintomas sistémicos mais marcados, como febre/sensação de febre, dores musculares, dor de cabeça, prostração/cansaço intenso, além de tosse (muitas vezes seca) e dor de garganta.
O que pode fazer em casa (e o que evitar)
Medidas úteis:
- Repouso, hidratação e alimentação leve conforme tolerado.
- Antipiréticos/analgésicos quando necessário (por exemplo, paracetamol), respeitando doses e contraindicações.
O que evitar:
- Antibióticos "por rotina": constipações e gripe são, na maioria, causadas por vírus — antibióticos não tratam vírus e o seu uso desnecessário aumenta efeitos adversos e resistência antimicrobiana.
Em alguns casos, pode haver tratamento específico: em pessoas com maior risco de complicações ou em quadros com maior gravidade, o médico pode indicar antivirais para gripe, idealmente iniciados precocemente.
Quando procurar ajuda (sinais de alarme)
Procure avaliação clínica/aconselhamento se existir:
- Falta de ar, dificuldade em respirar, pieira ou agravamento de doença respiratória;
- Dor no peito, confusão, sonolência marcada;
- Desidratação (pouca urina, incapacidade de beber líquidos);
- Febre alta persistente ou agravamento após melhoria inicial;
- Agravamento em idosos, grávidas, bebés/crianças pequenas ou pessoas com doença crónica/imunossupressão.
📞 Em caso de dúvida ou agravamento, contacte o SNS 24 (808 24 24 24).
Referências Bibliográficas:

